Por Gustavo BenedettiVocês devem estar se perguntando o porquê de eu estar escrevendo sobre esse time. Sim, o time dos bambis. Simplesmente o estou fazendo porque eu vi que daria uma boa matéria, essa fase do São Paulo. É algo que me chamou a atenção, apesar de estar tudo previsto. Explicarei.
Dia 10/5. Primeiro domingo no ano de Campeonato Brasileiro, e o São Paulo estreiava no Maracanã, contra o Fluminense. E quem diria, que o tricampeão estreiou com derrota: golaço de Maurício, no ângulo do então goleiro Bosco. Mas aquilo não significava nada, afinal, o São Paulo havia perdido na estréia da edição passada também. Mas fora bem pior: contra o Grêmio, em casa. Perderam com gol de Pereira de cabeça. PEREIRA!!! Sim, é aquele ÓTIMO zagueiro. Mas o time acabou campeão. Tri-campeão. E o maior campeão de todos: ninguém havia conseguido conquistar seis títulos brasileiros. Muito menos três deles seguidamente.
Contudo, o São Paulo empatou com Atlético Parananese, Palmeiras, Avaí e Santo André. No meio, ainda venceu o time misto do Cruzeiro por 3x0, em casa. Foi então que, antes do reencontro com o Corinthians no Pacaembu, Muricy foi demitido. A elimiação da Libertadores e a "má fase" no Brasileirão o fizeram perder o cargo. Mas se analisarmos, a fase não era tão ruim assim: o São Paulo perdera apenas uma das seis. Mas o São Paulo é um clube grande de mais para em 6 rodadas ganhar só uma. Fora que a "alegria" de jogar no São Paulo não mais existia, e alguns jogadores já estavam de saco cheio de Muricy. Para o clássico na 7ª Rodada, foi o interino Milton Cruz comandar a equipe. Tomou uma sacudida que há muito não acontecia: 3x1 para o Timão, e mais um gol de Cristian. Ainda rio de pensar em Cristian e São Paulo: se você perguntar para qualquer São Paulino se gosta de Cristian, você pode esperar que 99,99% falem que odeiam ele.

Depois do jogo, quem dirigiria o time pelo resto da temporada (assim esperava a diretoria) era Ricardo Gomes. O nome não foi muito bem vindo pela torcida do São Paulo. Qualquer que eu perguntava, me dizia: "Vai contratar este cara que nem famoso é! O São Paulo quer caminhar para o fundo do poço!". Impossível, com o elenco que tem. Mas era o pensamento de muitos no Brasil. Claro que os espertos sabiam do potencial do elenco, e os sãopaulinos mais espertos, como meu grande amigo Luiz Loschiavo, ainda acreditavam na grande recuperação do time.
Estréia de Ricardo contra um time fácil: Náutico, no Morumbi. Claro que nenhum time é fácil, mas ao pegarmos opções como o Corinthians, o Vitória ou o Palmeiras era bem mais fácil pegar o time pernambucano. Vitória por 2x0, com um gol de Hernanes. Mas nada garantido: um jogo como esse não mostra que o São Paulo começaria a subir a partir dai, e Ricardo Gomes era um técnico tão bom quanto fora Muricy. Tinha um jogo fora de casa, no outro final de semana: Coritiba, no Couto Pereira. Sãopaulinos confiantes, mas não conseguiram ver o time atuando bem. E nem ganhando: 2x0 Coxa, e muita raiva, porque muitos já começaram que o São Paulo não tinha mais jeito. E
ESTE é o problema: os mais inexperientes no futebol, não sabem, não entendem, e NUNCA vão entender que o futebol é uma coisa muito complexa. Você acha que o Corinthians teve o melhor time do Brasil no primeiro semestre porque jogou o amistoso contra o Estudiantes, venceu por 5x1, e entrosou a todos? Nunca. O Corinthians teve apenas dois jogadores adicionados ao time principal: Jorge Henrique e Ronaldo. De resto, todos estavam na conquista da Série B 2008. Isto é um exemplo para mostrar como o bom futebol é algo demorado para se impôr, e não é em 4 ou 5 jogos nós o fazemos. Muitos não entendem, e acham que só porque o São Paulo perdeu contra o Coritiba, nunca mais seria o dos três anos anteriores. Engano.
10ª Rodada, e o São Paulo empatou com o Fla, no Morumbi. Falhas individuais CLARAMENTE atrapalharam: Dênis chutou a bola em cima do jogador do Flamengo, Fierro, e tomou um gol que obviamente iria acontecer. O São Paulo conseguiu empatar com Borges, mas quando o time começava a mostrar que poderia virar, Renato Silva, novamente em erro individual, fez penalti em Adriano e foi expulso. Adriano converteu. Mais tarde, o São Paulo empataria o jogo, mas o empate em casa foi considerado um resultado ruim. E realmente foi. Na rodada seguinte, o jogo foi no Mineirão, contra o embalado Atlético. Era claro que o São Paulo iria perder, mas aqueles torcedores burros continuavam a dizer sobre o time. Engano novamente. A rodada que se seguia era perfeita: contra o Santos, no Morumbi. Um jogo perfeito para se reconstituir, e voltar a jogar bem. Foi o que aconteceu.
O São Paulo ganhou do Santos. O clássico foi como qualquer outro, mas Washington marcou um gol, e reapareceu para a torcida. O time foi embalado no meio de semana para pegar os gaúchos colorados no Rio Grande do Sul, mas começou tomando de 2x0, dois gols do irmão de Richarlyson, Alecsandro. Em ambos ele estava empedido, mas um foi um erro grotesco do bandeira. Nada abateu o São Paulo: o time voltou para o segundo tempo determinado a pelo menos empatar o jogo. Mas alguns sãopaulinos com certeza desligaram suas TVs e foram dormir. Eu, como não sou sãopaulino, e, mesmo que fosse (ECA!), nunca abandonaria meu time. E não abandonei o São Paulo. Para falar a verdade, eu queria saber o desfecho do jogo, e continuei assistindo. Washington errou penalti. Mais da metade dos Sãopaulinos que ainda continuavam com a TV ligada a desligaram. Mas os bravos continuaram, e viram o time empatar, e jogar muito bem. Hernanes fez um golaço, e Jean fez um gol que era mais um cruzamento, mas a regra é clara: a bola passou completamente da linha do campo, entre as duas traves, é gol. O São Paulo empatou, e foi pra casa com um pontinho suado mas que valeu a pena.
Depois dessa, vinha um jogo contra o Barueri, fora de casa. O time do interior paulista com apenas 20 anos de idade se mostra bem no Brasileiro, e algumas vezes joga melhor na Arena Barueri do que o Boca na Bombonera. Mas isso foi superado pelo São Paulo: Washington fez um, falha de Dênis e o Barueri empatou. And

ré Dias em ótima fase fez o segundo, e terminou assim. Era o tudo o que o São Paulo queria e precisava: uma vitória contra um bom time fora de casa. Daí, veio o jogo contra o Grêmio em casa, o que disseram que foi a melhor atuação do São Paulo no ano. 2x1, dois gols de Dagoberto. Depois mais duas vitórias: tirou a invencibilidade do Vitória no Barradão, e ainda ganhou em casa de virada para o Botafogo por 3x1, após gol de Lúcio Flávio.
Mas o que é que eu quis dizer descrevendo o São Paulo neste Brasileirão? Mostrar sua campanha? Claro que não. Quero dizer que, desde o começo, mesmo muitos (não digo todos) achando que o São Paulo não conseguiria repetir o feito dos últimos três anos, eu sempre acreditei que o São Paulo ficaria lá no topo. Mesmo com a má fase, eu ainda afirmava que o elenco do São Paulo não é para ficar na parte de baixo da tabela. Agora se encontra em 5º, com 7 vitórias, 6 empates e 4 derrotas. 8 pontos abaixo do líder, mas se for para repetir os feitos dos outros anos, será fácil alcançar os porcos.
Mas aí que vem minha crítica. O São Paulo QUASE afundou neste ano. A diretoria foi muito longe, e quis fazer bonito. Mas só tentou, porque não conseguiu: montou um elenco que tinha dois times, e alguns relacionamentos não acabaram bem, e muitos não se adaptaram a alma do clube. O São Paulo montou este time para tentar ganhar TUDO,
TUDO, sem excessão. Mas viu-se que, eliminado da Libertadores, e o time não jogando bem, o plano falhara. Quero dizer, já falhara quando o São Paulo foi tirado pelo Corinthians do Paulista. Mas o que acabou com a torcida foi a eliminação no Morumbi para o Cruzeiro. Assim, o São Paulo iria se dirigir mais uma vez ao Campeonato Brasileiro, e buscar o título. Mas não isso o que o sãopaulino realmente quer. Ele quer mais uma Libertadores, e mais um Mundial. Mas quando vê que o time é eliminado, jpa fala no Brasileiro, que o campeão voltou, e outras coisas. No final, os tricolores nunca estão tão felizes com 50 brasileiros conquistados. Mas querem se gabar sobre isso, e chorar por não conseguir conquistar uma Libertadores (coisa que não ocorre desde 2005. Isto é, não é muito tempo). Mas o choro é escondido pelo Brasileirão. É uma barreira para se proteger dos ataques dos rivais. Mesmo assim, nenhum rival conquistou a Libertadores depois deles, muito menos ganhou mais do que eles. por isso sãopaulino sempre vai para a boa fase do time nesses últimos vinte anos quando o assunto é futebol: é o que todos eles têm a falar. Mas uma coisa eu sei. Não discuto de time com sãopaulino, infelizemente...